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O Que Aprendi no Dia da Mulher

Hoje é dia 08 de abril. Há um mês atrás, 08 de março, foi o dia internacional da mulher.

Já há algum tempo eu tenho sentido falta, profunda, de fotografar mais livremente. Como eu fazia quando era menor, nos fins de semana em família, durante a faculdade, nos intervalos, com meus amigos, nos trajetos de carro com meu amor para qualquer lugar. Quando algo me chamava atenção e minha reação instantânea era buscar a câmera. Seja por receio de perder um momento, ou por anseio profundo de guardar um momento com tudo o que eu tinha.

E quando nossa paixão vira nossa profissão, as vezes, a gente entra nesse ritmo que esquece um pouco o equilíbrio dessa equação, de não deixar o que nos inspira no dia a dia, as coisas mais comuns, ficarem um pouco de lado. E por mais que eu viva isso todos os dias, eu tenho esse sentimento de querer registrar essas pequenas coisas. Para aumentar ainda mais o valor que dou para elas dentro de mim.

Uma das coisas que me propus realizar, dentro desse resgate, foi me proporcionar momentos fora de minha zona de conforto. Oportunidades onde eu possa observar o que sinto, penso, fora da minha rotina, das pessoas que convivo.

As vezes a gente (eu) esquece, mas a fotografia é uma arte. Uma arte primitiva e atual, clássica e moderna. E como arte, ela deve inspirar o mundo e expirar algo para que se veja esse mundo de forma diferente do que um instante atrás. Algo que mude uma perspectiva, que faça refletir, que faça sentir ou que simplesmente transpareça um olhar meu. E, como artista, eu esqueço que esse exercício de vivenciar com a câmera é importante… é essencial.

E há um mês atrás, me propus a ir sozinha aos movimentos que estavam acontecendo na cidade para o dia internacional da mulher. Queria ver, sentir e guardar o que se apresentasse para mim ali. E mal sabia eu o quanto isso seria e foi.

O que vêm a sua mente quando você pensa em manifestações, atos, performances no dia da mulher?

Isabelle Jungton

Independente do que seja, eu quero que você veja tudo isso através dos meus olhos. E o que eu vi foi exatamente o que foi proposto para o tema desse ano. Mulheres, juntas, são ainda maiores e melhores.

Eu, filha de pais separados, criada por uma mulher independente, fui educada para pensar de forma independente. E, isso, é lutar apenas por mim mesma. Isso é delicado, pois a longo prazo cria uma mentalidade de competitividade com todos, inclusive, e principalmente com mulheres.
E isso é sustentável? Você enaltece as mulheres que estão ao seu lado? Não só mãe, avós, melhores amigas, mas também as fornecedoras da sua área, as prestadoras de serviço, as colegas de trabalho e as mulheres que não temos esse vínculo afetivo?

Nesse dia, recebi mais olhares cheios de carinho e empatia que jamais tinha recebido em nenhum outro evento. Recordo de andar pelas mulheres e receber esses olhares, receber outros toques no ombro, mulheres que logo me davam licença ao ver a câmera, sem eu nem pedir e as vezes nem precisar. Isso me fez refletir sobre a empatia.

O que é empatia para você?

Tem algo grandioso em conseguir se abrir um pouco por dentro e se permitir ter essa flexibilidade de ir até onde o outro está e perceber um pouco do que é esse lugar, sem levar junto as referências que eu tenho de onde eu estou.

E, fazendo isso, vi quantas mulheres grandiosas, de todas as idades, de todos os jeitos, estavam ali preocupadas e agindo pelo bem umas das outras. Exercendo uma empatia que eu, sozinha, jamais consigo abarcar.

O que eu vi? Eu só vi amor. Só vi essa empatia. Só vi alegria em ser mulher. Que privilégio!

“I believe we can paint a better world, if we learn how to see it from all perspectives, as many perspectives as we possibly could, because diversity is strength. Difference is a teacher. Fear difference and you learn nothing.”
“Eu acredito que podemos pintar um mundo melhor, se aprendermos como ver através de todas as perspectivas, quantas perspectivas pudermos, porque a diversidade é força. A diferença é uma professora. Tema a diferença e não aprenderá nada.” (Hannah Gadsby)